IAPI, Parte 1: O sonho vertical que JK plantou na Lagoinha

Por Juninho — Colunista de Iapi

JK, uma viagem pouco contada e 11 prédios no papel: Juninho BH abre sua coluna revelando como nasceu o Conjunto IAPI da Lagoinha.


Fala comigo, meus amigos! Primeiramente, quero expressar a todos minha felicidade e honra por estar de volta como colunista na Gazeta da Lagoinha. Quero agradecer ao Creso, ao Dimas e a todos os envolvidos neste projeto e nesta nova fase. Que este novo momento seja eterno!

Ter a oportunidade de falar do IAPI e da Lagoinha é um prazer e uma satisfação sem precedentes. Então vamos dar a largada!!!

Um país em busca de um teto

Entre os anos 1940 e 1950, o Brasil vivia uma busca por projetos modernos e já se preocupava com a falta de moradias populares, diante de um déficit habitacional que só crescia. Em BH não era diferente.

O desafio era integrar os trabalhadores e a população de baixa renda à vida urbana, facilitando sua mobilidade. Era preciso pensar grande.

Foto: Postais Delcampe, 1951.

JK, o prefeito que pensava à frente

Para nossa sorte, tínhamos na prefeitura um homem que sempre pensava à frente dos demais: nosso querido Juscelino Kubitschek, então administrador da nossa capital.

Pesquisando nos arquivos municipal e estadual, encontrei uma história que muitos não gostam de contar, por ter acontecido em pleno Estado Novo. Em uma viagem oficial ao lado do governador Benedito Valadares, em comitiva do governo federal, então presidido por Getúlio Vargas, JK conheceu bairros inteiros de edificações verticais voltadas ao trabalhador, projetos avançados de moradia popular como os da Bielorrússia. Ele voltou de lá com uma ideia fixa na cabeça.

De volta a BH, JK convidou o engenheiro e arquiteto White Lírio Martins para desenvolver o Conjunto IAPI, que saiu do papel como um projeto notável de arquitetura modernista para a época e que se impõe até hoje.

Onze prédios no papel e as pontes que viraram lenda

No primeiro momento, o projeto previa 11 prédios de moradias (apartamentos), coroados pelas famosas pontes suspensas (flutuantes), únicas até hoje, que interligariam todos os blocos pelo pavimento superior.

Projeto do Conjunto IAPI / Acervo Histórico (Prefeitura de Belo Horizonte e IAPI)

Mas nem tudo saiu exatamente como no papel. Quando as equipes iniciaram as medições e as fundações, descobriram um lençol freático bem na entrada do conjunto, onde hoje temos a rotatória e a área verde de acesso ao IAPI. Resultado: dos 11 blocos idealizados, 9 foram erguidos.

E cada um com sua altura, numa verdadeira escadaria de concreto: os edifícios 2 e 3 têm cinco andares; o 4 e o 5, seis; o 6 e o 7, sete; o 8 e o 9, oito; e o edifício 10 alcança nove andares.

Foto: @cadu_passos_

E olha que curioso: há pouco tempo, um projeto para construir um banheiro público nessa mesma rotatória, com uma homenagem aos imigrantes italianos, foi abandonado pelo mesmo motivo. O lençol freático continua lá, guardando a entrada do nosso conjunto.

Por que a Lagoinha?

E o local escolhido não foi por acaso. Nosso então prefeito já tinha o terreno definido: a nossa querida Lagoinha. A região era o ponto de ligação natural no caminho entre o centro e a novíssima Pampulha, que nascia como cartão-postal da cidade.

A ideia era simples e revolucionária ao mesmo tempo: manter o trabalhador morando dentro da cidade, perto do emprego, do comércio e do transporte, em vez de empurrá-lo para longe de tudo.

Aguardem o próximo capítulo de nossa história…

VIVA NOSSA HISTÓRIA!

Juninho BH



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