Os animais têm sentimentos?

Por Rita — Colunista de Mundo Animal


Sim! Pesquisas científicas indicam que os animais possuem sentimentos e emoções tais como os seres humanos. Muitos demonstram reações como alegria, tristeza, afeto, medo, frustração, dor, prazer, ansiedade e até mesmo empatia. Isso não significa que eles sintam exatamente como os seres humanos.

O que é senciência?

A capacidade de demonstrar essas reações é chamada de senciência. Sim, os animais são seres sencientes, e essa conclusão é baseada nos resultados de estudos comportamentais, fisiológicos e da neurociência.

O que dizem as evidências

Esses estudos, especialmente a neurociência, reúnem um conjunto de evidências muito fortes que sustentam essa afirmação. As principais são:

  1. Estruturas cerebrais análogas. Muitas espécies possuem estruturas cerebrais que desempenham funções semelhantes às humanas no processamento de emoções e dor.
  2. Aprendizagem e comportamento. Diversas espécies não reagem de forma automática. Elas demonstram aprendizado após experiências, fazem escolhas entre alternativas e revelam preferências, o que sugere que essas reações não são respostas programadas.
  3. Neuroimagem e neuroquímica. Estudos de neuroimagem, eletrofisiologia e comportamento mostram que muitos animais apresentam estados compatíveis com medo, ansiedade, alegria, frustração e expectativa de recompensa, mediados por neurotransmissores como dopamina, serotonina e noradrenalina, os mesmos encontrados nos seres humanos.
  4. Resposta a medicamentos. Analgésicos e anestésicos que reduzem a dor e alteram a consciência em seres humanos produzem efeitos semelhantes em muitos animais, o que sugere mecanismos neurológicos compartilhados.

Em 2022, um grupo internacional de neurocientistas publicou a Declaração de Nova York sobre a Consciência Animal, afirmando que as evidências indicam experiência consciente em vários grupos animais. Antes dela, a Declaração de Cambridge sobre a Consciência já concluíra que a consciência não é exclusividade dos seres humanos.

Leis que reconhecem a senciência animal

Cada vez mais países passaram a reconhecer a senciência animal ao elaborar suas leis e políticas de bem-estar. União Europeia, Reino Unido, França, Portugal, Espanha, Nova Zelândia, Colômbia, Chile, Brasil e Quebec (Canadá) estão entre os que consideram o bem-estar animal ao formular suas políticas.

No Brasil, podemos citar a Lei Sansão (Lei nº 14.064/2020), que aumentou a pena para quem pratica maus-tratos contra cães e gatos.

Temos também, em Belo Horizonte, a chamada Lei das Carroças, que regula ou proíbe o uso de veículos de tração animal, com o objetivo de proteger os animais contra maus-tratos e excesso de carga.

Exemplos que demonstram emoções nos animais

Eis alguns exemplos que demonstram os sentimentos e as emoções dos animais:

  • Elefantes demonstram luto, permanecendo ao lado de membros do grupo mortos, choram por essa perda, visitam ossos de parentes mortos e protegem membros feridos.
  • Cachorros demonstram apego aos tutores, abanam a cauda em sinal de alegria e entusiasmo ao reencontrá-los, e também demonstram medo.
  • Gatos sentem ansiedade de separação, ciúmes e expressam afeto pelos tutores.
  • Vacas formam amizades complexas e ficam visivelmente estressadas e deprimidas quando separadas de seus parceiros ou filhotes.
  • Primatas (macacos) demonstram empatia e mudança de comportamento após a perda de um companheiro.
  • Suínos (porcos) demonstram preferência por interações sociais.
  • Galinhas demonstram empatia e sinais de estresse físico ao verem seus pintinhos em perigo.
  • Polvos resolvem problemas, abrem recipientes para obter alimento e adaptam estratégias diante de novos desafios.

Como reconhecer a dor nos animais

A dor é uma experiência importante para a saúde e o bem-estar dos animais, e alguns sinais podem ser observados na mudança de comportamento: isolamento, agressividade ou apatia; vocalizações como choro, gemido, miado ou latido; dificuldade em andar, mancar ou não apoiar um membro; e lambedura excessiva em determinado local.

O medo também é uma emoção importante para os animais, pois aumenta as chances de sobrevivência ao permitir uma reação rápida a situações de risco.

Devemos respeitar todas as espécies animais.

Isso inclui cuidar bem dos animais domésticos, não praticar maus-tratos e preservar os hábitats das espécies silvestres.

Uma história para terminar

Esse macaquinho, chamado Punch, foi rejeitado pela mãe logo ao nascer. Ele recebeu um bichinho de pelúcia dos tratadores do zoológico em que vive, no Japão, e passou a carregá-lo para todos os lugares, o tempo todo, como fonte de conforto e segurança.

Foto: AFP



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