Retorno amargo: Galo fecha o turno com a segunda pior campanha em dez anos

Por Flávio — Colunista de Esporte


Olá, amigos e amigas do Gazeta da Lagoinha!

A parada para a realização da Copa de 2026 trouxe generosos 29 dias de treinamento para o Atlético. O time, contudo, priorizou talvez mais o resguardo físico, porque não fez amistosos. O Galo se limitou a jogar contra o seu sub-20 e o Betim.

Vale lembrar que, até esse intervalo da Copa do Mundo, o técnico Eduardo Domínguez, o Barba, somava 24 jogos pelo clube. Eram 11 vitórias, 10 derrotas e 3 empates. Havia a expectativa de um retorno diferente e de uma janela de contratação também diferente…

Um museu de grandes novidades

Mas… no jogo contra o Bahia o que se viu foi, como diria Cazuza, “um museu de grandes novidades”. O Atlético até imprimiu uma postura de protagonista no primeiro tempo, que parecia ditar o retorno do alvinegro na competição. Mas esbarrou nas chances perdidas de gols de seus atacantes Cuello e Cassierra.

Teve em Éverson o melhor jogador em campo, fato que vem ocorrendo nos últimos 3 anos. O gol do Galo saiu de um jogador de defesa, Ruan Tressoldi, no finalzinho do primeiro tempo.

Já o Bahia empatou com a famosa “lei do ex”, com um gol do atacante Ademir. O Bahia dominou o segundo tempo e por pouco não saiu com a vitória de Belo Horizonte.

Postura e entrega são o mínimo

Muitos esperam postura e entrega do time diferente nesse retorno. Contudo, postura e entrega é o mínimo que um atleta de futebol, que joga num time como o Atlético, tem de ter. Isso é o mínimo.

A questão é que o elenco é curto e hoje, infelizmente, limitado. Não é um elenco que tenha condições de disputar em alto nível uma competição de regularidade, como o Brasileiro. O time teve dificuldades para encarar o Bahia dentro de casa, principalmente no segundo tempo.

Os números do turno não mentem

Com 25 pontos em 19 rodadas e 43% de aproveitamento, o Atlético fechou o primeiro turno com a segunda pior campanha das últimas dez edições da Série A. Só o time de 2017, que somou 23 pontos na primeira metade, ficou atrás.

O detalhe que incomoda está no que veio depois daquele ano. Em 2017, o Galo terminou o Brasileirão em nono lugar e ficou de fora da Libertadores na temporada seguinte.

Nas edições posteriores, mesmo em 2024, quando o time brigou contra o rebaixamento até a rodada final, a pontuação no primeiro turno foi maior do que a de agora. Ou seja: nem nos anos de sufoco o Atlético abriu o returno numa situação como esta.

A diretoria colocou como meta principal para 2026 a classificação para a Libertadores de 2027. Com essa campanha e com esse tipo de apresentação em campo, talvez essa modesta meta esteja ficando insustentável.

O mata-mata como tábua de salvação

Claro, o time ainda sonha avançar na Copa do Brasil, e terá jogo pelas oitavas contra o Juventude, atualmente 3º colocado no Brasileirão série B. A partida está marcada para o dia 1º de agosto, sendo o primeiro jogo em casa, e a volta para o dia 4, em Caxias do Sul (RS).

Tem ainda a Copa Sul-Americana. O Galo aguarda seu adversário nas oitavas, que sairá do confronto entre RB Bragantino e Sporting Cristal, do Peru. Os jogos serão também em agosto.

Esse tipo de competição, mata-mata, pode trazer para o torcedor uma esperança e uma sorte melhor.

A janela discreta e os “4 Hulks por ano”

O time esbarra no elenco curto e na falta de contratação pontual da diretoria. Numa janela discreta, o Atlético trouxe o zagueiro Léo Duarte e ponto final. O zagueiro, contudo, se lesionou em treinamento no CT do Galo, e o clube confirmou uma lesão no músculo posterior da coxa direita.

O Atlético tentava a contratação do meia/volante Fred junto ao Fenerbahçe, da Turquia. Contudo, o atual técnico, İsmail Kartal, disse no dia 21/07, em entrevista coletiva, que quer contar com o jogador e não abre mão dele no elenco. A notícia veio como um balde de água fria para as pretensões de ter o jogador no Galo.

A promessa que a torcida não esquece

E aqui entra a conta que a arquibancada cobra desde o início da SAF: os “4 Hulks por ano”. Em coletiva realizada no dia 7 de junho, Rafael Menin, um dos mandatários da SAF, voltou ao tema e afirmou não concordar que o clube deixe de cumprir essa expectativa.

Da arquibancada, a leitura é outra. Não vieram os 4 Hulks prometidos pela diretoria, nem as contratações para as posições carentes.

O trabalho do Barba

A situação do Atlético em campo segue instável. Sem um elenco competitivo e com a diretoria sem fazer grandes contratações, o trabalho do Barba segue discreto e limitado.

Vale lembrar que Barba assinou com o Atlético no dia 26 de fevereiro deste ano e seu contrato vai até dezembro de 2027. Saiu do clube argentino Estudiantes de La Plata, onde teve aproveitamento em torno de 54%.

O técnico tem suas convicções bem definidas de táticas em campo. Geralmente joga no esquema 4-2-3-1 e costuma dar a posse de bola para o adversário, priorizando a recuperação e o avanço das linhas na retomada em alta velocidade para conquistar o resultado.

Palmeiras pela frente

O próximo jogo do Galo, na abertura da segunda fase do Brasileirão, será contra o Palmeiras, em São Paulo. Na primeira rodada, em casa, o Atlético empatou por 2 a 2 contra os paulistas.

Fato é que o Atlético segue devendo ao seu torcedor um time competitivo. Por enquanto, a torcida se apega à sua paixão centenária pelo clube e à esperança de que as coisas, quem sabe, podem melhorar.

Nos resta aguardar, porque o retorno da Copa foi bem amargo. Abre o olho, Barba! Abre o olho, diretoria!

Até a próxima.



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