Feira clandestina na Lagoinha gera transtornos e mobiliza ações de fiscalização

Por Cida Dantas — colunista de Segurança


Comunidade e comerciantes da Lagoinha denunciam o comércio irregular na região da Passarela e cobram medidas permanentes de segurança e fiscalização.

No dia 19 de julho, uma denúncia foi encaminhada à Guarda Municipal de Belo Horizonte relatando a existência de uma feira clandestina de produtos de procedência suspeita nas imediações da Passarela da Lagoinha. Segundo relatos da comunidade, o problema não é recente.

Há alguns anos, a comercialização irregular ocorria nas proximidades da Passarela do bairro Carlos Prates e, posteriormente, teria migrado para a própria Passarela da Lagoinha.

Ao longo desse período, moradores e comerciantes relatam apreensões de produtos de origem suspeita e de armas brancas, além de conflitos e episódios relacionados ao comércio e ao uso de drogas. A situação aumentou a sensação de insegurança de quem usa diariamente a passarela para acessar o trabalho, o comércio, o transporte público e outros serviços.

Revitalização e reforço da segurança

Nos últimos meses, a Prefeitura de Belo Horizonte realizou intervenções na Passarela da Lagoinha. Entre elas, a pintura do gradil, a substituição da iluminação por lâmpadas de LED e o reforço do videomonitoramento com novas câmeras.

A comunidade também cobrava medidas mais efetivas junto aos órgãos municipais responsáveis pela segurança. Como resultado dessas reivindicações, houve reforço da presença da Guarda Municipal na região, com patrulhamento a pé, de motocicleta e de viatura.

As ações contribuíram para melhorar a sensação de segurança na passarela e facilitar o deslocamento dos cidadãos.

Comércio irregular migra para o entorno

Com o aumento da fiscalização na parte superior da passarela, a feira clandestina teria migrado para a área abaixo da estrutura e para os passeios entre as ruas Além Paraíba e Bomfim.

A mudança passou a provocar novos transtornos. O espaço destinado à circulação de pedestres vem sendo ocupado por pessoas comercializando diversos tipos de mercadorias, o que dificulta o deslocamento de moradores, trabalhadores, comerciantes e demais usuários.

Segundo relatos, em determinados momentos os pedestres acabam obrigados a usar áreas próximas à Avenida Antônio Carlos, via de intenso movimento e importante acesso ao elevado da Rodoviária, o que aumenta os riscos de quem precisa atravessar a região.

A movimentação ocorre em diferentes horários do dia e da noite, segundo moradores, e gera reclamações constantes sobre ocupação do espaço público, segurança, limpeza e circulação de pessoas.

Fiscalização é intensificada

Diante das denúncias e das cobranças da comunidade, a Guarda Municipal, sob o comando do comandante Júlio César, em parceria com a Prefeitura e os setores de fiscalização, intensificou as operações na região.

Nos dias 14, 15 e 16 de agosto, foram realizadas novas abordagens e ações de fiscalização. Durante as operações, os agentes fizeram uma varredura na área e recolheram diversos produtos comercializados de forma irregular.

Entre os materiais recolhidos estavam roupas, calçados, equipamentos elétricos, armas brancas e outros objetos cuja procedência deverá ser apurada pelos órgãos competentes.

Na operação do dia 16 de agosto, não houve prisão, segundo as informações repassadas à comunidade. A ação teve como foco a fiscalização, a apreensão de mercadorias e a retirada dos produtos de procedência suspeita do local.

Um problema social que exige ação integrada

A chamada “feira do Robalto”, como passou a ser conhecida na região, envolve uma realidade complexa. A comunidade reconhece que algumas pessoas podem estar tentando obter renda com a comercialização de mercadorias sem documentação ou comprovação de origem.

Ao mesmo tempo, há preocupação com a possibilidade de circulação de produtos furtados ou roubados e com o uso do dinheiro obtido nessas atividades para financiar o consumo de drogas.

Por isso, moradores e comerciantes defendem que o problema seja enfrentado de forma integrada, envolvendo segurança pública, fiscalização, assistência social e políticas de inclusão e geração de renda.

Não basta retirar as pessoas de um ponto e permitir que o problema reapareça em outro.

É necessário manter a fiscalização de forma contínua, garantir a livre circulação dos pedestres e, ao mesmo tempo, buscar alternativas sociais para quem depende da atividade irregular para sobreviver.

Comunidade quer segurança permanente

A melhoria da segurança na Passarela da Lagoinha é considerada uma conquista importante pelos moradores, mas a comunidade entende que o trabalho precisa continuar.

A expectativa é de que a Prefeitura, a Guarda Municipal, os órgãos de fiscalização e as demais instituições responsáveis mantenham ações permanentes na região, evitando que a feira clandestina simplesmente se desloque para outro ponto.

A Passarela da Lagoinha é um importante corredor de circulação de moradores, trabalhadores e visitantes. Garantir que esse espaço seja seguro, iluminado, monitorado e livre de ocupações que impeçam a passagem dos pedestres é uma reivindicação que, segundo as lideranças comunitárias, deve permanecer na pauta do poder público.

A comunidade quer uma Lagoinha mais segura, organizada e acessível para todos: moradores, comerciantes, trabalhadores e visitantes.



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