Clássico Vibrante e Violento: Cruzeiro e Atlético Empatam pela Copa do Brasil

Por Flávio — Colunista de Esporte


Olá, amigos e amigas do Gazeta da Lagoinha!

Atlético e Cruzeiro fizeram até um bom jogo no Mineirão nesta primeira partida de ida das quartas de final da Copa do Brasil. A torcida da Raposa compareceu em peso e fez uma grande festa. A do Galo, mesmo em menor número, dada a limitação de ingressos, também fez muito barulho.

Gostaria de tecer comentários sobre o jogo, mas prefiro, neste clássico, falar sobre a violência em campo no futebol. Ontem tivemos lances para os dois lados passíveis de avaliação e cartões que, muitas vezes, não foram aplicados.

O lance entre Kaio Jorge e Tressoldi

Um lance chamou a atenção de todos: a entrada do promissor atacante Kaio Jorge, do Cruzeiro, no zagueiro do Galo, Ruan Tressoldi. A imagem é clara e imprime que, em momento nenhum, o jogador do Cruzeiro buscou a recuperação da bola.

Ao contrário, fez o que chamamos de cama-de-gato, o que resultou em uma queda feia do zagueiro, que bateu a cabeça no chão. Tressoldi ainda tentou seguir no jogo, mas minutos depois abandonou a partida, orientado pelo médico do Atlético, Dr. Rodrigo Lasmar.

O jogador deixou o campo, foi substituído por Vitão e levado de ambulância para exames emergenciais, devido ao seu estado de saúde. O departamento médico do clube anunciou, na manhã desta quarta-feira, que os exames realizados no atleta não apontaram nenhum dano estrutural na coluna ou no crânio.

Fato é que sequer houve aplicação de cartão amarelo para Kaio Jorge que, na minha opinião, dada a temeridade da entrada, poderia até ter sido expulso. O árbitro do jogo, Flávio Rodrigues, perdeu a mão da partida, e isso alimentou lances violentos para os dois lados.

O zagueiro se manifestou em suas redes sociais sobre o ocorrido.

Bruno Rodrigues também deixa o jogo machucado

Bruno Rodrigues, do Cruzeiro, que entrou aos 45 minutos do segundo tempo para substituir Arroyo, também se machucou. Em seu primeiro lance, se chocou com o goleiro Éverson em um cruzamento próximo da pequena área.

O jogador deixou a partida e foi direto para o hospital. O departamento médico do Cruzeiro informou que, devido ao choque, Bruno Rodrigues sofreu uma fratura no rosto e na costela.

Não é a primeira vez

Não é de hoje que assistimos a lances bizarros no futebol brasileiro. Recentemente, a cena ocorrida no jogo entre Internacional e Cruzeiro também nos deixou uma imagem forte.

Aos 13 minutos do segundo tempo, o atacante Gabriel Pec, que fazia sua estreia pela Raposa, recebeu uma entrada violenta do zagueiro do Inter, Victor Gabriel. Resultado: fratura na tíbia da perna esquerda, fato informado pelo departamento médico do Cruzeiro na manhã seguinte ao jogo.

Uma troca de mensagens entre os atletas foi compartilhada na mídia. Nelas, foi possível ver tanto o pedido de desculpas do zagueiro do Internacional quanto o perdão concedido pelo atacante do Cruzeiro. Um exemplo de esportividade, que deveria servir de aprendizado para o mundo do futebol.

A intensidade chamada violência

A questão é que há tempos vendem esse futebol força no mundo, e principalmente aqui no Brasil. O futebol moderno chama um lance violento e temerário de intensidade: o jogador deve ir para definir e não pode perder a viagem.

“A bola passa, mas o jogador não.” A frase, de outrora bizarra, é eficiente até acontecer uma lesão grave com alguém que você ama, ou simplesmente com um jogador do seu time do coração.

Intensidade é muito diferente de agressão e violência. Claro, o esporte é de contato, e lances duros podem acontecer. Mas lances de agressão e de temeridade extrema devem ser vigiados de perto.

Se o futebol tivesse um regimento sério, o agressor deveria ser afastado pelo mesmo tempo do agredido. No caso envolvendo Gabriel Pec e Victor Gabriel, isso ocorreu: ele foi punido pelo STJD com uma suspensão de seis partidas, estendida até o retorno do atacante do Cruzeiro aos treinamentos, com um limite máximo de 180 dias.

Claro, o lance entre Kaio Jorge e Tressoldi não é um fato isolado, e não deve servir para colocar os dois jogadores no papel de patinho feio do futebol. Contudo, lances como esses deveriam ser cada vez mais evitados no esporte. O clássico desta terça-feira, inclusive, foi bom, mas o número de faltas fez com que, no primeiro tempo, por exemplo, tivéssemos apenas 26 minutos de bola rolando.

Craques caçados

Neymar, em sua melhor fase, foi várias vezes vítima dessas entradas violentas. O resultado foram inúmeras lesões, e ainda tiveram a coragem de lançar uma narrativa chamando-o de cai-cai. Ah, mas o futebol sempre foi assim! Então quer dizer que VAR e 450 câmeras servem apenas para mostrar a lesão ao povo e dar audiência?

Recentemente, em jogo válido pela Série C, entre Anápolis e Guarani, o jogador Juninho, do Anápolis, aplicou dois chapéus no time adversário ao conduzir a bola em direção ao ataque, mas foi coibido pelos jogadores e ainda recebeu cartão vermelho do juiz.

A verdade é que o futebol hoje não privilegia o esporte e o talento. O espetáculo ficou para trás. Jogadores comuns, para não dizer ruins, mas fortes fisicamente, já se veem nesse desenho até nas categorias de base, dispostos a correr 90 minutos e fazer o que for fisicamente necessário para se sobressair no quesito força.

Com o fim das peladinhas improvisadas, dos famosos campinhos de várzea, o futebol foi perdendo a magia do drible, da brincadeira, do improviso. O esporte vem dando lugar a um jogo enfadonho, burocrático e, por vezes, violento, muito diferente do que estávamos acostumados a ver em um passado recente. Temos ainda a espetacularização forçada do esporte, vendendo caro algo barato.

Espero que fatos como esses possam chamar a atenção de quem gere o esporte. Quem sabe um dia não abram espaço, de novo, para a magia e a alegria do futebol!

Até a próxima!



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