Móveis Cupim: quatro décadas restaurando móveis e memórias na Rua Itapecerica

Por Dimas — Colunista de Empreendedorismo

Do CEFET à Rua Itapecerica

Manoel e Erenice se conheceram na Escola Técnica Federal, hoje CEFET-MG. Antes de abrir o próprio negócio, Manoel trabalhou por dez anos na loja Mercatudo, do Sr. Joaquim Ventura, e chegou à Rua Itapecerica em 1971, já no ramo dos móveis usados.

Erenice se somou ao trabalho há cerca de 18 anos. “Um complementa o trabalho do outro”, resume o casal sobre a parceria que sustenta a loja há tanto tempo.

Uma rua que já foi outra

Quando Manoel chegou, a Itapecerica fervilhava de lojas de móveis usados, com apenas uma de móveis novos, além de residências e prédios que viriam a ser demolidos. Havia o Bar do Papai, dos portugueses Sr. Caetano e Sr. Fernando, e uma farmácia no térreo do antigo Hotel Itamarati.

Algumas casas ainda guardavam a boemia da velha Belo Horizonte. Entre os comerciantes que o casal lembra com carinho estão Joaquim Ventura e Newton Ventura.

O que o tempo levou

As maiores mudanças vieram com as demolições no início da rua, para a construção dos viadutos. O trânsito era mais ameno, e a Itapecerica chegou a ser mão dupla. Para o casal, o balanço desses anos é duro e direto:

“Só ganhou com muitas polêmicas e promessas não cumpridas. Ou seja, só perdemos.”

A arte de restaurar

O processo começa sempre pela mesma pergunta: a peça tem cupim? Esse é o primeiro problema a ser tratado, antes da avaliação geral do móvel. O valor de cada peça é combinado caso a caso, levando em conta o estilo, a madeira e se o móvel é assinado.

O tempo de restauro varia conforme o tamanho e o tipo de reparo. Em toda peça, o que o casal procura preservar é o mesmo: a beleza e a história.

Superinflação, pandemia e a decisão de seguir

Foram dois os grandes desafios de toda a trajetória: a superinflação de outras décadas e, mais recentemente, a pandemia. Ainda assim, desistir nunca esteve em questão. “É o que sabemos fazer”, afirma o casal.

Do trabalho vieram as amizades e também as conquistas materiais: um prédio na Avenida Abílio Machado, a casa própria, os estudos dos filhos em escola particular, viagens pelo Brasil e ao exterior e a aposentadoria aos 56 anos.

Histórias que ficam

Nem tudo foi trabalho duro. O casal ri ao lembrar de um ajudante que, cheio de disposição, se ofereceu para carregar uma televisão antiga até a freguesa, provavelmente de olho na gorjeta. A TV era pesada, escorregou e se espatifou. Sem hesitar, o rapaz emendou: “Agora a senhora conversa com meu advogado.”

Outras histórias tocam mais fundo. Uma cliente antiga, que chamava Manoel de “Loro”, apelido dos tempos em que ele chegou à rua, telefonou já em um asilo e pediu: “me tira daqui”. Ele tentou ajudar, mas não pôde fazer nada.

Novas gerações e o futuro da Lagoinha

Para surpresa do casal, são cada vez mais os jovens que aparecem para comprar. Muitos ligados à cultura, ao cinema, ao teatro e à fotografia procuram a loja para alugar peças. Se pudessem escolher um único móvel para representar toda a trajetória, seria uma mesinha de centro modelo pé-palito, que ficava na casa da mãe de Manoel, em Juiz de Fora.

A mensagem final é um pedido pela rua: que se cumpram as promessas de revitalização e que se priorize o comércio da região, dos móveis e eletrodomésticos às mercearias, casas de ração, lanchonetes e farmácias. Ao casal que começava a Móveis Cupim, décadas atrás, eles deixariam apenas três palavras: “Vocês venceram!”

Serviço Móveis Cupim Ltda. | Rua Itapecerica, 390, Lagoinha, Belo Horizonte/MG Telefone: (31) 3442-7166 | WhatsApp: (31) 99622-4792 | Instagram e Facebook: Móveis Cupim



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