Palloma Svagera: do brigadeiro vendido na escola à confeitaria própria na Lagoinha

Por Dimas — Colunista de Empreendedorismo

Ela vendeu pulseirinhas, chicletes e salgados na escola, formou-se em Gastronomia, morou em Portugal e voltou para recomeçar vendendo brigadeiros pelas ruas da Lagoinha. Em novembro de 2023, abriu as portas da Confeitaria Svagera, a poucos metros de onde tudo começou.

Uma empreendedora desde a escola

Quem é a Palloma Svagera por trás da confeitaria?

Eu sou a Palloma Svagera, tenho 30 anos e me considero uma mulher forte e sonhadora. Sou batalhadora, gosto de correr atrás dos meus objetivos e não desisto facilmente daquilo em que acredito.

Acredito muito em Deus e sou muito grata por tudo que tenho e por tudo que Ele me permitiu viver até hoje.

Como começou essa história?

Minha história começou cedo. Desde pequena eu já gostava de trabalhar e empreender. Já vendi pulseirinhas, chicletes, torta de frango na marmitinha e, com uma amiga, salgados que buscávamos em uma fábrica para revender na Escola Silviano Brandão, onde tudo começou e onde me formei.

Depois vieram os brigadeiros na escola, a faculdade de Gastronomia, a trajetória na confeitaria e a oportunidade de morar em Portugal. Durante o ensino médio eu ainda pensava em cursar Ciências Contábeis, até descobrir que existia a faculdade de Gastronomia. Como já tinha uma relação forte com a comida e com o empreendedorismo, decidi seguir esse caminho e me formei em 2016.

E digo uma coisa: cada fase foi muito importante para me tornar quem sou hoje.

De Portugal à volta para as ruas do bairro

Você também morou fora do Brasil. Como foi essa experiência?

Em 2022, fui morar em Portugal. Meu primeiro trabalho lá foi em uma brigadeiria de uma brasileira. Depois, continuei fazendo doces e bolos por encomenda em casa, tive uma parceria com uma amiga da faculdade e cheguei até a vender batata recheada. Meu último trabalho foi em uma fábrica de peças automotivas, uma área completamente diferente da confeitaria.

Morar fora me ensinou muito sobre adaptação, independência e sobre a capacidade de me reinventar. Era como se eu tivesse acabado de nascer naquele lugar e precisasse aprender tudo de novo: os costumes, a cultura, a comida e até pequenas coisas do dia a dia.

Também me ensinou a valorizar mais as pequenas coisas. Quando estamos longe de tudo que conhecemos, até aquilo que parece simples passa a ter um valor enorme.

Quando voltou para o Brasil, você já pensava em abrir seu próprio negócio?

Eu não tinha essa intenção. Na verdade, nem tinha condições de pensar nisso naquele momento. Queria simplesmente voltar a trabalhar com aquilo que amo, a confeitaria.

Comecei de onde era possível: voltei para a casa da minha mãe e da minha avó, comecei a vender brigadeiros pelas ruas da Lagoinha e, aos poucos, retomei as encomendas. Com o tempo, a vontade de ter um espaço físico começou a surgir.

Como nasceu a ideia de montar a confeitaria?

Nasceu de uma conversa que eu nunca esqueci. A dona de uma loja de roupas que ficava ao lado de onde hoje é a Confeitaria Svagera era minha cliente de doces. Um dia, ela me disse:

“Palloma, aqui no bairro não tem nada parecido com o que você faz. Você podia abrir uma loja. A loja aqui do lado está para alugar, por que você não olha?”

Aquilo ficou martelando na minha cabeça. Conversei com meu namorado, que me deu todo o apoio, e fui atrás do proprietário do imóvel, que por coincidência era o mesmo dono do ponto onde eu tinha tido minha primeira loja, anos antes. Naquele momento, ele me disse que o imóvel já tinha sido alugado.

Algum tempo depois, eu estava indo para a casa da minha avó à noite e, sem estar procurando nada, olhei para aquela loja e vi de novo a placa de “aluga-se”. O aluguel anterior não tinha dado certo. Dessa vez, o ponto estava disponível. Foi assim que tudo começou, e em novembro de 2023 abri a Confeitaria Svagera.

Os desafios do caminho

Qual foi o momento mais difícil desde que decidiu empreender?

Um deles foi a pandemia. Naquela época eu trabalhava só com encomendas e delivery por aplicativo, e essa era a minha única fonte de renda. Quando todo mundo precisou se reinventar, os aplicativos cresceram, muitas empresas entraram e minhas vendas caíram bastante.

Outro momento foi quando voltei de Portugal. Voltei vendendo brigadeiros pelas ruas da Lagoinha e, chovesse ou fizesse sol, eu estava lá.

E eu não tenho vergonha nenhuma dessa fase. Muito pelo contrário, tenho muito orgulho. Tudo aquilo fez parte do meu processo e me ensinou a me adaptar, persistir e continuar.

E qual foi o momento em que você pensou: “Eu consegui”?

Na inauguração. Foi tudo maravilhoso, mesmo com chuva! (risos) E toda vez que saio da loja e depois volto, quando vejo a Confeitaria Svagera de frente, ainda fico impressionada.

Eu fico olhando e pensando: “Meu Deus do céu, isso é real? É o meu sonho. Está dando certo.” Às vezes ainda penso: “Gente, é minha mesmo essa loja?” (risos)

O cuidado como diferencial

O que você quer que o cliente sinta ao entrar na sua loja?

Acho que o nosso diferencial está no cuidado. Gosto de pensar em cada detalhe, desde a produção até a forma como o cliente é recebido. Quero que as pessoas sintam que estão entrando em um lugar onde tudo foi feito com carinho e atenção.

Mais do que vender doces, quero que o cliente tenha uma experiência boa, goste do produto, seja bem atendido e tenha vontade de voltar.

Existe algum produto com um significado especial para você?

O brigadeiro, sem dúvida. Foi com ele que tudo começou. Foi o doce que eu vendia na escola e também o que voltei a vender pelas ruas quando precisei recomeçar, em 2023.

Por mais que hoje a Confeitaria Svagera tenha muitos outros produtos, o brigadeiro sempre vai ter um significado muito especial para mim.

Raízes na Lagoinha

Por que você escolheu a Lagoinha para essa nova etapa?

“Eu nasci e cresci aqui, estudei aqui, comecei a vender meus doces aqui e tive minha primeira loja aqui.”

Construir novamente meu negócio nesse bairro tem um significado muito grande. Não foi simplesmente escolher um lugar para abrir uma loja. É o lugar onde a minha história começou. Mesmo não morando mais aqui, passo grande parte dos meus dias na loja, então continuo vivendo a Lagoinha praticamente todos os dias.

Como você enxerga o potencial do comércio do bairro?

Eu acredito muito no potencial da Lagoinha. É um bairro tradicional, com muita história e com pessoas que têm uma relação muito forte com o lugar. Existe espaço para novos negócios e novas ideias, trazendo movimento e fortalecendo o comércio local, sem deixar de valorizar aquilo que já existe.

Sobre jovens empreendedores, eu sou a prova viva disso. É possível trazer novas ideias sem apagar a história do bairro. Pelo contrário: essa união entre tradição e inovação pode fortalecer ainda mais a Lagoinha, como já tem acontecido.

Mulher, jovem e dona do próprio negócio

Como é estar à frente do próprio negócio?

Ser mulher já é desafiador. Ser uma mulher jovem e empreendedora traz ainda mais desafios. Ser dona de uma empresa exige muito mais do que as pessoas veem: é tomar decisões o tempo inteiro, cuidar da produção, das finanças, dos funcionários, dos clientes.

Mas eu gosto de desafios. E hoje me considero uma mulher forte. Isso é algo que demorei alguns anos para perceber.

O que significa, para você, ser uma mulher guerreira?

É ser uma mulher que corre atrás dos seus objetivos e não desiste, mesmo quando as coisas apertam. Mas também é entender que você vai ter seus dias difíceis. Dias de ficar triste, cansada, exausta, de querer colo. E tudo bem. Na verdade, isso é o processo.

“Todas as vezes que a gente pensa em desistir, a gente não desiste. A gente descansa, respira e recomeça.”

Os próximos sonhos

Qual é o seu maior sonho para a confeitaria?

Continuar crescendo sem perder a essência da Confeitaria Svagera. Quero que ela seja cada vez mais conhecida e reconhecida e que cresça de maneira saudável.

Sou muito grata à Lagoinha, mas também sonho em levar a Confeitaria Svagera para outros lugares. Quero expandir, conquistar novos espaços e levar o nosso trabalho para mais pessoas, sem nunca esquecer de onde eu vim.

O que você diria para a menina que sonhava com tudo isso?

Diria para ela não desistir, mesmo quando as coisas parecerem difíceis. Para continuar trabalhando, correndo atrás e acreditando nos sonhos dela.

Também diria para continuar confiando em Deus e entender que nem tudo vai acontecer no tempo que ela imagina. Alguns planos vão mudar e ela vai precisar recomeçar algumas vezes.

Mas, no final, ela vai olhar para trás e perceber que tudo valeu a pena. E que aquela menina que começou vendendo brigadeiros na escola ainda tinha muita coisa para viver.




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