Por Flávio — colunista de Esporte
Olá, amigos e amigas do Gazeta da Lagoinha!
Deu Galo de virada na Arena MRV, que recebeu um público de 43 mil torcedores, com presença de apenas 4% da torcida da Raposa, já que o mando de campo, dessa vez, era atleticano.
Esse talvez tenha sido um dos melhores clássicos dos últimos tempos. O Cruzeiro, de Artur Jorge, trazia do Mineirão a possibilidade de se classificar com uma vitória simples. Mas o Galo, de Eduardo Domínguez, o Barba, também tinha essa possibilidade.
Bastidores agitados
Sabemos que no futebol atual, o grande craque dos jogos tem sido o “extracampo”. Ocorre nos bastidores, nas discussões, nas negociações, nas provocações, nas arquibancadas, no jeito do juiz para um lado e para o outro. O tal craque “extracampo” tem sido negociado a preço de ouro no futebol brasileiro!
No clássico não foi diferente. O episódio da primeira partida, envolvendo Kaio Jorge e Ruan Tressoldi, rendeu mais que aplicação em bolsa de valores. O Galo protocolou apelação no STJD contra o atacante do Cruzeiro, mas ele foi liberado para o jogo. O “papai tá aqui” foi a tônica entre os dois jogadores: Kaio Jorge usou a frase na comemoração do gol que abriu o placar. Com a virada do Galo e a eliminação da Raposa, o zagueiro Ruan Tressoldi publicou em sua rede social um vídeo de sua visita a Kaio Jorge na sala de exames da Arena MRV, devolvendo a provocação. Coisas do futebol!
Ainda havia todo o mistério do trauma no pé esquerdo do goleiro Everson.
Conforme entrevista do médico do Atlético, dr. Rodrigo Lasmar, o goleiro jogou com um bloqueio anestésico para ter condições de atuação, dada a importância da partida na temporada para o clube.

Clássico equilibrado e bem jogado
Há tempos não se via um Atlético e Cruzeiro tão bem jogado. Nem o jogo de ida no Mineirão foi assim. A partida de volta foi equilibrada e tecnicamente boa, o que tem sido raridade no futebol brasileiro.
O equilíbrio no clássico se foi com a expulsão do lateral cruzeirense Lucas Villalba, que tomou o segundo cartão amarelo aos 16 minutos do segundo tempo. Assim, o Galo passou a mandar no jogo. O torcedor da Raposa ainda ficou na bronca com Artur Jorge que, na sequência da expulsão, decidiu substituir Mateus Pereira, Kaio Jorge e Gerson.
Protagonistas do clássico
Vitão: da arquibancada ao gramado
Das arquibancadas com o pai para os gramados do time do coração. Esse é o zagueiro Vitor Fernandes, 18 anos, mais conhecido como Vitão. Ele assumiu a zaga do Galo entrando no decorrer do jogo de ida, para substituir o zagueiro Ruan. No jogo da volta começou novamente no banco, mas foi acionado de novo pelo Barba, porque Ruan Tressoldi sentiu e precisou ser substituído aos 16 minutos do primeiro tempo.
Vitão entrou e, na sequência, acabou cometendo um pênalti em Kaio Jorge. Mas o garoto agarrou com unhas e dentes a nova oportunidade e seguiu firme no jogo. Talvez ele tenha lembrado que, na arquibancada, cantou por anos que “o Galo é o time da virada” e viu isso se tornar realidade dentro de campo.
Fred: a volta por cima do menino da base
Outro protagonista do clássico também é cria do Galo. No passado, Fred era um daqueles meninos sonhadores e bons de bola. Com esforço da família, conseguiu uma vaga na base do time do coração, o Atlético. Mas acabou indo para o sul do Brasil assinar com o Internacional, numa boa chance de contrato.
O menino cresceu e, pela ironia do destino, marcou o primeiro gol como profissional justamente contra o Galo. Dali em diante, viajou o mundo e passou pela Seleção Brasileira, conquistando a independência financeira. Voltou para o Galo, e o seu primeiro gol como profissional pelo clube do coração foi exatamente o gol que eliminou o Cruzeiro.
Ah, como o futebol tem histórias incríveis!
Agenda apertada pela frente
O Galo, do Barba, vem evoluindo, e a agenda é agitada: além da semifinal da Copa do Brasil, o time ainda joga no dia 9, já pelas quartas de final da Copa Sul-Americana, contra o Santos. Pensa ainda no Brasileiro, onde busca fazer uma campanha menos dolorosa que a de 2025 e 2024, lembrando que, no início da temporada, a diretoria do Atlético apontou como objetivo principal do clube garantir uma vaga na Libertadores de 2027.
Já o Cruzeiro, embora tenha sofrido eliminação na Libertadores e na Copa do Brasil, tem um bom elenco e um ótimo conjunto, fruto das contratações pontuais da diretoria e do bom trabalho do técnico Artur Jorge. Não é terra arrasada, apesar da bronca de muitos torcedores celestes. A Raposa segue, a partir de agora, focada apenas no Brasileirão, onde uma boa colocação na tabela também é sinônimo de vaga na Libertadores de 2027.
Até a próxima!







